Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Vivir de cine

Outro dia me perguntou um amigo o por que de eu querer fazer cinema, quais as minhas motivaçoes. Engraçado que esse é uma típica pergunta para quem adora se perder em divagaçoes filosóficas ou sei lá o que. A verdade é que fiquei tentada a fazer isso, princpalmente quando aprendi com um professor querido que eu me questionava pouco sobre as minhas escolhas. Eu as fazia e pronto, estavam feitas, o que me interessa entao é fazer planos e colocá-los em prática o quanto antes. Ou seja, uma série de erros, mas que agora nao vêm ao caso.

Mas a resposta pra isso me vem logo, como se sempre estivesse aqui, ainda que eu nunca tivesse "respondido" isso pra ninguém. Nunca fui nenhuma super contadora de histórias e nem nunca pensei em fazer disso uma profissao, a minha vida, mas sempre eu amei o fato de poder imaginar as coisas, de contar a vida do jeito que ela poderia ser, ou do jeito que eu queria que ela fosse. Sempre fiz isso escrevendo. Nao romances, contos, mas espécies de crônicas - nao muito boas, by the way. Mas quando eu descobri o potencial do cinema, o que se pode fazer com conjuntos de imagens bem pensadas, eu vi que era a melhor forma do mundo pra se contar essas histórias, esses mundos possíveis e imagináveis, ou até impossíveis e imagináveis. Eu amo essas histórias, eu amo tudo o que eu nao conheço e que, ainda assim, posso contar. Eu amo poder inventar uma história que com a qual as pessoas possam se identificar. Ou que se emocionem, que riam, que percebam como foi composto e pensando aquele plano, aquela sequencia, aqueles personagens, enfim. Nao consigo pensar en nada mais prazeroso agora, a sensaçao de que preciso viver um pouco desse mundo que eu imagino a todo o momento, de que eu posso brincar com imagens e sons e pessoas e histórias, e fazer disso a minha vida.

Claro que dirigir um filme é algo bem mais complexo que isso, mas o que me ocorre sempre quando penso nas minhas escolhas é que eu quero poder contar sempre todas as histórias que passam pela minha cabeça. Por algum motivo obscuro eu sei que eu posso fazer isso bem, que as pessoas querem ouvir, que eu posso comover, divertir, fazer rir diferentes tipos de pessoas. E viver disso! Aahhhhhh, viver disso...