Compañeros de piso (!otra vez¡)
Quando eu cheguei aqui eu sabia que Joana morava com um casal, Antonio e Veronika, mas só estava Antonio aqui na ocasiao. Por um mês (sendo duas semanas as que eu estive aqui), Veronika esteve em Bangladesh para a parte prática da sua pós em Serviço Social. Foram duas semanas estranhas porque ela estava em toda a casa, todos falavam dela, as coisas dela estavam por toda parte, mas nada de ela estar vivendo lá! Acabei ficando muito ansiosa em conhecê-la e a espera acabou valendo a pena porque ela é um doce de pessoa. E diante de todo o estresse que tava rolando com Antonio, Vero chegou na hora certa. Tudo pareceu melhor com ela, ainda que alguns problemas, claro, tenham persistido.
Vero é uruguaia. Eu nao conheço nada nem ninguém do Uruguai, mas a tendência de me sentir mais próxima de uma uruguaia que de um español (Antonio) é muito grande, talvez porque sejamos as duas sulamericanas e, no fundo, eu imagino que ela deve ser um pouco mais como nós, brasileiros, mais carinhosa, mais divertida, mais próxima, mais solidária. Engraçado que eu percebi aqui como os brasileiros podem ser solidários, como sao incapazes de se importar por coisa pequena. Sei lá, os espanhóis te olham feio por causa de uma garrafa de água ou de um ovo da geladeira. Nao nos imagino tendo sequer coragem de fazer uma coisa dessa.
Eu já tinha simpatizado com Vero quase gratuitamente, mas ela me ganhou num dia em que estava fazendo o almoço dela e de Antonio e me convidou pra comer com eles. Colocou uma cadeira pra mim na mesa e me ofereceu da sua comida. Aquilo me surpreendeu muito! Antonio jamais faria isso e, em duas semanas, eu tinh "entendido" que a minha comida é só minha - oferecer era "intimidade" demais. Quando eu sentei na mesa com ela, eu senti que podia ser brasileira de novo, se é que isso pode ser entendido. E foi incrivelmente bom.
Depois disso só melhorou. Um dia acordei e todos os pratos da pia estavam lavados. Eu e Jô nunca deixamos louça suja na pia, só às vezes de madrugada deixamos uns copos, que lavamos assim que acordamos no outro dia. Vero tinha lavado os copos. Claro, nao custa nada lavar uma coisa ou outra, ainda mais quando voce já está lá com a mao na massa. Outro dia, essa semana, eu fritei umas beringelas e dei pra ela experimentar, ela ficou toda contente. E também me deixou entrar no quarto dela, sendo que Antonio sempre deixa a porta fechada, nao entra ninguém! Vero me convidou pra entrar, me convida sempre, me mostra coisas. Até me deu um mapa de Barcelona de presente outro dia. E daí uma lista de coisas, sem contar o jeito tranquilo dela, sua forma de agradecer por qualquer coisa, o seu nao-puder em tocar as pessoas, em chegar perto. Veronika toruxe (talvez de volta) pra essa casa um monte de paz e sossego, e mais uma vez é prazeroso viver aqui, dividir todos os espaços dessa casa, de repente dá prazer conhecer essas pessoas estranhas, aprender a conviver e lidar com tudo isso.
Vero é uruguaia. Eu nao conheço nada nem ninguém do Uruguai, mas a tendência de me sentir mais próxima de uma uruguaia que de um español (Antonio) é muito grande, talvez porque sejamos as duas sulamericanas e, no fundo, eu imagino que ela deve ser um pouco mais como nós, brasileiros, mais carinhosa, mais divertida, mais próxima, mais solidária. Engraçado que eu percebi aqui como os brasileiros podem ser solidários, como sao incapazes de se importar por coisa pequena. Sei lá, os espanhóis te olham feio por causa de uma garrafa de água ou de um ovo da geladeira. Nao nos imagino tendo sequer coragem de fazer uma coisa dessa.
Eu já tinha simpatizado com Vero quase gratuitamente, mas ela me ganhou num dia em que estava fazendo o almoço dela e de Antonio e me convidou pra comer com eles. Colocou uma cadeira pra mim na mesa e me ofereceu da sua comida. Aquilo me surpreendeu muito! Antonio jamais faria isso e, em duas semanas, eu tinh "entendido" que a minha comida é só minha - oferecer era "intimidade" demais. Quando eu sentei na mesa com ela, eu senti que podia ser brasileira de novo, se é que isso pode ser entendido. E foi incrivelmente bom.
Depois disso só melhorou. Um dia acordei e todos os pratos da pia estavam lavados. Eu e Jô nunca deixamos louça suja na pia, só às vezes de madrugada deixamos uns copos, que lavamos assim que acordamos no outro dia. Vero tinha lavado os copos. Claro, nao custa nada lavar uma coisa ou outra, ainda mais quando voce já está lá com a mao na massa. Outro dia, essa semana, eu fritei umas beringelas e dei pra ela experimentar, ela ficou toda contente. E também me deixou entrar no quarto dela, sendo que Antonio sempre deixa a porta fechada, nao entra ninguém! Vero me convidou pra entrar, me convida sempre, me mostra coisas. Até me deu um mapa de Barcelona de presente outro dia. E daí uma lista de coisas, sem contar o jeito tranquilo dela, sua forma de agradecer por qualquer coisa, o seu nao-puder em tocar as pessoas, em chegar perto. Veronika toruxe (talvez de volta) pra essa casa um monte de paz e sossego, e mais uma vez é prazeroso viver aqui, dividir todos os espaços dessa casa, de repente dá prazer conhecer essas pessoas estranhas, aprender a conviver e lidar com tudo isso.

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