Terça-feira, Julho 25, 2006

Porque Barcelona... (I can't tell)

Fazia algum tempo na minha vida que eu nem podia dizer que andava de aviao. Viagem era de onibus e olhe lá! De uns tempos para cá e cada vez mais, os aeroportos começaram a fazer parte da minha vida das formas mais intrigantes e dessa vez de forma decisiva. Estar no aeroporto de Salvador no embarque internacional foi algo um tanto assustador e novo, sempre novo. As novidades vinham o tempo todo, desde a fila pra passar pelo controle da polícia até o aviao que eu peguei que era todo gigante. E do aeroporto de Salvador pro de Madrid, oito horas depois, foi ainda mais assustador, sendo que no de Barcelona foi tudo bem mais tranquilo, como se eu estivesse mais em casa. E é como me sinto aqui, afinal.

O aeroporto de Madrid me assustou e me traumatizou. Se eu achava que tudo em Sao Paulo, por exemplo, era gigante, em Madrid nem tem comparaçao. O aeroporto é tao absurdamente grande que eu me perdi, quase perco o vôo porque nao encontrava a droga do portao de embarque. Os portoes aqui sao uma loucura, cada um deles tem umas cinquenta entradas, eh muito bizarro. Andei quase meia hora atrás de um desses portoes, e isso com uma droga de uma bagagem de mao que nao dava pra suportar sozinha o peso. No caminho eu perdi meu cartao de embarque, morri de suor, tive que tirar o cinto porque ele fazia a parada lá de segurança apitar, enfim... Eu quis morrer naquele aeroporto e nem as cadeiras eram confortáveis pra sentar como as do aeroporto do Galeao no Rio de Janeiro, onde nem me importei de dormir a noite toda uma vez. Aquilo tudo gigante e megalomaníaco, sem contar o calor ABSURDO, digno dos piores dias de Salvador, tudo isso me estressou e me deixou cansada. Pensei que merda mais que podia acontecer, sei lá, detestei aquilo, detestei pensar que talvez eu fosse parar num lugar onde tudo é louco e estressante.

Acabou que, no aviao de Madrid a Barcelona, meu coraçao começou a se acalmar, hehehehe. Primeiro porque uma mulher lá mesmo de Barcelona estava do meu lado, voltando de férias de Cuba, e foi super simpática comigo. Falei pra ela minha dificuldades pra conversar, mas que eu podia entender o que ela dizia. Acostumados como eles devem ser com um monte de turistas por aqui que nao falam a lingua deles, ela me tratou bem, foi paciente, nao se importava de me explicar tudo o que eu perguntava. E ela também perguntava um monte do Brasil, o que depois vi ser uma coisa recorrente aqui, o monte de perguntas e curiosidade das pessoas sobre o Brasil. Depois disso e do vôo de só uma hora, me senti melhor, senti que tudo poderia ser mais tranquilo e sereno do que eu tinha medo.

No aeroporto de Barcelona, tudo diferente. Muita, MUITA gente, de todo lugar, falando todas as linguas, se fazendo quase as mesmas perguntas. A coisa da solidao dos aeroportos me bateu muito mais forte, principalmente porque ali eu vi que estavam todos perdidos mesmo, assim como eu. Fiquei muito tempo por lá esperando Joana vir me pegar, e deu pra observar um monte de coisas desse tipo. Mas a medida que o tempo ia passando e as pessoas iam deixando o aeroporto, que as lojas iam fechando e os funcionários iam pra casa, o lugar ia tomando um ar meio melancólico. As pessoas deitadas no chao ou nas cadeiras nada confortáveis, esperando sabe-se lá o que. A música ambiente que tornava tudo bem mais “climático”, sei lá. Aquela música ambiente eu nao consigo esquecer, principalmente porque nao consigo descrever o que ela me causou ali naquela hora. Mas eu me senti tranquila, quieta. Olhava pra fora do aeroporto através das portas de vidro transparentes e imaginava o que Barcelona estava guardando pra me mostrar... E tudo o que eu pensava é que dali pra fora tudo era, apesar de grandioso e megalomaníaco, encantador, e que eu tinha, sim, feito a melhor escolha pra esse momento.