Sábado, Julho 29, 2006

Hablando en español...

A minha primeira angústia por estar num país estranho é a das mais óbvias (pelo menos pra mim). Eu nao consigo falar em espanhol. Eu penso em espanhol, eu falo sozinha, eu sempre tento construir as frases certas antes de falar, mas quando é pra falar, eu nao consigo, eu travo. Ainda que isso, na primeira semana, seja normal (segundo todo mundo), eu me sinto desajustada, principalmente quando eu simplesmente nao consigo me expressar. E nao falo de nao conseguir dizer frases, isso eu consigo depois de algum esforça e muita ajuda de Joana e Antonio, meu compañero de piso, mas de me expressar, de dizer como acho engraçado um caso que ele me conta, ou de dizer como achei linda e maravilhosa determinada cena de um filme que vemos juntos. Isso eu nunca poderia imaginar, isso nao se aprende em cursos de espanhol, com isso eu absolutamente nao sei lidar e chego a me deprimir, como nesses últimos dias.

Eu nunca achei espanhol fácil, muito pelo contrário, sempre soube que a sua aproximaçao com portugues só tornaria as coisas mais difíceis, mas nunca pensei que isso seria o desafio tamanho que está sendo. Nao tem nada pior do que estar conversando sobre cinema com Antonio e nao conseguir explicar pra ele como concordo ou discordo do que ele diz, ou entao como fazer isso, concordar ou discordar sem precisar dizer “estoy se acuerdo”, “comparto tu opinión”. Isso nao é expressao, é só dizer frases corretas, mas como dizer, “porra, que cena de fuder, na moral!!!”. Expressoes, bobagens que conhecemos só na nossa lingua, enfim...

Eu sei que tudo isso é uma questao de tempo e que vai passar, que logo vou aprender a me expressar de verdade em espanhol, mas agora isso me angustia de tal forma que tanto Joana como Antonio já sentem de longe. Tive momentos estressantes com os dois esses últimos dias, tudo pelo mesmo motivo, porque nao consigo falar em espanhol com Joana, porque me constranjo com tudo, porque nao consigo retribuir de forma adequada e merecida toda a ajuda, atençao e gentileza que Antonio dedica a mim, de graça, sem que eu precise pedir. Uma sensaçao estranha de impotência, de achar, nessa cidade onde tem gente de todo o mundo, todos conseguem se expressar nessa lingua que a todos é estranha, menos eu. Sim, é drama, é bobagem, mas é a minha bobagem, é algo que eu sinto profundamente, que sinto até esse momento e que nao vejo a hora de deixar de sentir.

Noite passada eu liguei pra Iana, minha (grande e querida) amiga que chegou em Granada há quase um ano. Me lembrei das angústias dela, de como ela se sentia mal e sozinha. Liguei pra ela quase chorando, pedindo ajuda, pedindo ouvidos, e ela foi a única que pôde me entender por completo. Ainda que Joana me entenda porque ela passou pelo mesmo, ainda assim ela nao consegue entender que o meu processo tem diferenças em relacao ao processo dela. Antonio pior ainda, nao entende mesmo. E o pior de tudo é ver que, por mais simples que tudo isso seja, ninguém tem condiçoes de me entender. Acho que foi a primeira vez que me senti sozinha.