Just like this
Ele já tinha até esquecido. Quer dizer, não que tivesse esquecido completamente (algumas coisas simplesmente não desgrudam de você), mas já tinha se distraído a ponto de não mais pensar, sequer se preocupar. Tava só fumando um cigarro na janela, pensando em tudo o que tinha de resolver nas próximas três horas. Mas do nada o telefone toca aquele toque intolerável.
Ele atende logo, pra acabar com isso. Mas era ela. O coração bate forte mais de susto que de emoção - como se estivesse ouvindo a voz de uma alma penada. Vontade de desligar.
- É... eu não queria falar com você. Desculpa.
Silêncio.
- Desculpa, eu tô de saída.
- Quando a gente pode se ver?
- A gente não pode.
E desligou. Ele não queria mesmo falar com ela. Já quis tanto antes, quis tantas outras coisas. Mas às vezes demora pra se ter o que se precisa. E ele viu que precisava de tanto, mas tão pouco do que ela poderia lhe dar. Ele sabe, mas dói. Uma dor de alívio. O alívio nada mais é do que esse monte de dor.
Mais alguns minutos até o coração parar de incomodar.
É só esperar e
acabou.

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