Preguiça...
Existem coisas que eu, com meus míseros 20 anos, não estou mais disposta a entender. Ao mesmo tempo em que admiro e que me instiga a diferença entre o que as pessoas são, fazem e sentem, também me angustia e me deixa com preguiça. A verdade é que queria tirar uma boa folga do mundo e das pessoas, queria olhar pra todo mundo do mesmo jeito e deixá-las pra lá quando eu quisesse.
Tenho muita preguiça de gostar das pessoas, de respeitá-las em suas peculiaridades, de entendê-las em suas crises, de aceitá-las em suas escolhas. Tenho preguiça de ser uma pessoa melhor, de tentar deixar que cheguem perto sem auto-policiamento. Tenho preguiça de me defender de pré-julgamentos, porque sei que são eles que sobrevivem no final, muito mais fortes do que eu. Tenho muita preguiça de encontrar as pessoas e respostas certas, porque o que eu mais quero é esquecer que devo à mim mesma encontrar isso que busco.
O que eu sinto hoje é essa preguiça de viver melhor comigo e com as pessoas, talvez porque eu me sinta melhor comigo e comigo mesma. Não vejo a hora de chegar o mês de março e eu me mandar pra outro continente, ou mundo que será só meu, outro espaço para que eu talvez comece a ver o mundo de novo, comece a olhar pras pessoas de novo. Mas agora é tudo tão chato e monótono. Os problemas alheios, que nunca são meus, as crises dos outros, as tentativas em vão dos outros, as crises que querem me dar pra carregar e que eu me recuso.
Que preguiça, meu deus!! Que preguiça até de olhar pra mim mesma. Já olhei tanto e ninguém nem percebeu. Agora é minha vez de virar as costas e ficar quietinha no meu canto, com meus livros, meus filmes e minhas músicas.

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